Final de campeonato.
Estádio lotado.
Segundo tempo.
Falta na grande área.
PENALTI.
Mais de 80 mil pessoas num coro silencioso.
O Camisa 10 ajeita a bola.
GOOOOOLLLLLLL.
Euforia de 40 mil pessoas.
Desolação de outras 40 mil pessoas.
O repórter corre para o campo - e como se não fosse uma grande emoção 40 mil pessoas gritando seu nome ao fazer o gol da vitória de uma campeonato - faz a infâme pergunta ao Camisa 10:
- Muita emoção em fazer o gol do título? (Isso é pergunta? Sonho com o dia que o jogado vai responder NÃO. Tô não.)
O jogador, visivelmente emocionado, engasgado com as lágrimas, responde:
- É realmente. Éé uma grande emoção eeeeeee Graças a Deus eu consegui bater forte eeeeeee pude dar esse presente a essa torcida maravilhosa.
E as 40 mil pessoas da torcida adversária que perdeu o jogo, Deus não gosta deles ou torce para o time adversário? Se ele torce para algum com certeza não é o Flamengo.
O Zagueiro sobe de cabeça e marca o gol. Na entrevista fica claro que Deus jogou outro partidaço:
- Realmente, Graças a Deus eu fiz o gol… - Pergunta: Foi Deus quem cruzou a bola?
Não nos ensinaram que Deus ama a todos incondicionalmente? Então porque ele só ajuda um time ou a um jogador? Será que um time que joga bem não tem méritos? Só Deus joga bem?
Cobrança de falta no ângulo, o jogador sai correndo apontando para os céus - Foi Deus quem sofreu a falta ou desviou a bola com a mão sem ninguém ver? (Maradona disse que Ele já fez isso uma vez).
E os goleiros desolados, como ficam? Será que um dia antes do jogo eles blasfemam, pecam, fazem macumba e por isso punidos (com mais uma grande atuação Dele) com um frango ou com um chute indefensável?
O Meio-Campo marca um golaço de fora da área.
“Graças a Deus peguei bem na bola eeeeee…” – Foi Deus ou ele quem chutou a bola? Vai ver foi Deus que ensinou o cara a chutar?
É engraçado também ver o boicote da imprensa Desportiva a Deus, que apesar de Deus jogar bem todas as partidas, nunca é convidado ou citado nas mesas redondas. Vai ver Deus é muito Estrela.
Ou ainda:
- Graças a Deus jogamos bem…- Deus estava no time? Jogando em que posição? Ou quem sabe era o Técnico que armou um belo esquema tático?
Se Graças a Deus tem tanto jogador gente fazendo gol, Ele deve jogar muito e ser for realmente brasileiro, convoca ele para Seleção, oras.
Mas na verdade acho que cheguei a conclusão: Deus simplesmente não gosta de goleiros.
19 de outubro de 2005
10 de outubro de 2005
Saudade
Porquê hoje eu repeti 3 vezes o meu prato preferido e continuo com um vazio na barriga?
Porquê estou tão puto agora que não tenho ninguém para buscar na Puta Que Pariu para sair? Não tem sentido, eu nunca buscava ninguém para sair.
Porquê estou com uma vontade incontrolável de ligar para o seu celular? Mas de que adianta ligar hoje, se quem irá atender é apenas sua voz gravada na caixa postal?
Porque estou muito puto porque você não veio me ver antes de ir embora, se é você que vai embora e eu nem fui te ver?
Porquê você vai embora de mim se ainda nem tive a chance de te ter?
Porquê você está sendo tão egoísta a este ponto de me deixar?
Porquê a gente só se dá conta de como as pessoas são importantes quando já é tarde demais? Porquê não aproveitamos mais as bebedeiras ou as risadas trocadas ao vento? Os beijos roubados sem pretensão? Um simples passeio no fim de tarde ou um sorvete que tomamos juntos?
Somos egoístas e em nenhum momento paramos para pensar que quem vai, também carrega essa bagagem chamada saudade.
Porquê estou tão puto agora que não tenho ninguém para buscar na Puta Que Pariu para sair? Não tem sentido, eu nunca buscava ninguém para sair.
Porquê estou com uma vontade incontrolável de ligar para o seu celular? Mas de que adianta ligar hoje, se quem irá atender é apenas sua voz gravada na caixa postal?
Porque estou muito puto porque você não veio me ver antes de ir embora, se é você que vai embora e eu nem fui te ver?
Porquê você vai embora de mim se ainda nem tive a chance de te ter?
Porquê você está sendo tão egoísta a este ponto de me deixar?
Porquê a gente só se dá conta de como as pessoas são importantes quando já é tarde demais? Porquê não aproveitamos mais as bebedeiras ou as risadas trocadas ao vento? Os beijos roubados sem pretensão? Um simples passeio no fim de tarde ou um sorvete que tomamos juntos?
Somos egoístas e em nenhum momento paramos para pensar que quem vai, também carrega essa bagagem chamada saudade.
5 de outubro de 2005
Até rei tira catota no trânsito.
Imagine a cena: Príncipe Charles, no seu imponente Rolls-Royce, parado no trânsito inglês se distraindo limpando o salão de festas real.
Pode ser rápido, apenas para tirar uma casquinha, uma exploração mais profunda, com o dois dedos ou com o mindinho. Mas o fato é que, homem ou mulher, ricos e pobres, no trânsito colocam o dedo no nariz.
Um momento de distração para aguentar o trânsito solitário de todos os dias (e não fica bem fazer isso com passageiros no carro - se bem que já tem gente praticando assim mesmo).
Além de distração, já virou técnica de relaxamento. Mesmo porque, depois de tirar, tem que fazer bolinha!
Com o polegar e o indicador se faz os leves e relaxantes movimentos circulares até que aquela massinha comece a tomar forma de bolinha. Bolinha feita, hora de se livrar da prova do crime.
Discretamente, braço para fora do carro, mais um ou dois movimentos circulares com os dedos e pronto. Um risinho de satisfação escapa na boca e o sub-consciente fica leve, um crime perfeito, ninguém viu.
Rápido e muito discreto. Mas o fato é que tem sempre alguém vendo. Mas não se culpe, todo mundo que vê, tira.
Dia desses avistei um amigo na marginal indo para o trabalho, ele estava tão compenetrado com o dedo no nariz, que desisti de falar com ele. Não quis atrapalhá-lo.
Pode ser rápido, apenas para tirar uma casquinha, uma exploração mais profunda, com o dois dedos ou com o mindinho. Mas o fato é que, homem ou mulher, ricos e pobres, no trânsito colocam o dedo no nariz.
Um momento de distração para aguentar o trânsito solitário de todos os dias (e não fica bem fazer isso com passageiros no carro - se bem que já tem gente praticando assim mesmo).
Além de distração, já virou técnica de relaxamento. Mesmo porque, depois de tirar, tem que fazer bolinha!
Com o polegar e o indicador se faz os leves e relaxantes movimentos circulares até que aquela massinha comece a tomar forma de bolinha. Bolinha feita, hora de se livrar da prova do crime.
Discretamente, braço para fora do carro, mais um ou dois movimentos circulares com os dedos e pronto. Um risinho de satisfação escapa na boca e o sub-consciente fica leve, um crime perfeito, ninguém viu.
Rápido e muito discreto. Mas o fato é que tem sempre alguém vendo. Mas não se culpe, todo mundo que vê, tira.
Dia desses avistei um amigo na marginal indo para o trabalho, ele estava tão compenetrado com o dedo no nariz, que desisti de falar com ele. Não quis atrapalhá-lo.
29 de setembro de 2005
Sonhos que Deixamos de Sonhar
Quando crianças sonhamos.
E não apenas sonhos de travesseiro.
Sonhamos sonhos para a vida inteira.
Sonhos que ganham cores e forma na adolescência.
Sonhos impossíveis para os outros,
mas tão claro e possíveis ao nossos olhos.
Sonhos para cada uma das etapas da vida.
Mas aos poucos, crescemos e nos é imposta a vida de adulto,
onde não querem que sonhemos.
Mas nos recusamos a jogar todos os nossos sonhos fora.
Apenas dobramos eles bem pequeninhos
e os guardamos num cantinho especial do coração.
E eles ficam ali, dobrados, quietinhos,
um por um e torná-los sonhos de verdade.
Escrevi este texto para uma campanha de incentivo da Avon para as Gerentes de Setor, onde o prêmio poderia chegar até 8,000,00 reais. Ela consistia em uma pequena mala direta, cheia de dobras e que ao desdobrá-la, ficava enorme. E não apenas sonhos de travesseiro.
Sonhamos sonhos para a vida inteira.
Sonhos que ganham cores e forma na adolescência.
Sonhos impossíveis para os outros,
mas tão claro e possíveis ao nossos olhos.
Sonhos para cada uma das etapas da vida.
Mas aos poucos, crescemos e nos é imposta a vida de adulto,
onde não querem que sonhemos.
Mas nos recusamos a jogar todos os nossos sonhos fora.
Apenas dobramos eles bem pequeninhos
e os guardamos num cantinho especial do coração.
E eles ficam ali, dobrados, quietinhos,
um por um e torná-los sonhos de verdade.
Falar sobre dinheiro ou sobre o que se deve ou não fazer com ele, é sempre complicado. Mensurar o sonho de quem não conhecemos em jóias ou carros ou viagens é praticamente impossível. Então as convidei a desdobrar seus sonhos mais íntimos e sonhá-los de novo. Se elas ganhariam todo o prêmio, não era importante, talvez o prêmio pudesse ser usado para realizar os sonhos, talvez. Mas para mim o importante era que cada uma das pessoas, ao ler o texto, voltasse a sonhar.
Porque o sonho nos mantém vivo. Nos faz ir além. Parar de sonhar é assinar o próprio atestado de óbito. É morrer-vivo. É tornar- se medíocre.
Então sonhe. Sonhe alto. Muito alto. Mas tenha os pés no chão para estourar o seu balão de sonho e transformá-lo em realidade. Agarre-o com força. Faça dele a sua verdade. Sonhe o seu sonho. Nem que ele seja um sorvete, ao por-do-sol, de mãos dadas com a pessoa amada.
26 de setembro de 2005
Pressa sobre duas rodas
Trânsito. Tudo tão parado que parece que estou andando para trás. De repente: Um vulto passa rasgando o trânsito mostrando que o caminho é mesmo para frente. Depois outro e outro e mais outro. São tantos juntos que parecem uma centopéia sobre duas rodas.
Passam desafiando as leis da física, mais um corpo ocupando o terceiro lugar num mesmo espaço que mal cabem dois. E da mesma maneira rápida que aparecem, somem, assim como sumiu de vista o retrovisor do carro ao lado, arrancado num chute certeiro (digno do Ronaldinho) de um motoboy um mais esstresado.
Fico para trás me perguntando: “Aonde eles vão com tanta pressa?”
Mas ainda assim penso: “Amanhã, vendo está porcaria de carro velho e compro uma moto.”
Meia hora depois, coisa rápida, uns 3 km a frente, chego a causa do congestionamento: um motoqueiro atropelado (Nunca ouvi no rádio motoboy atropelado, apenas motoqueiros são atropelados). Na hora desisti da moto.
E o trânsito parado nem tanto pelo motoqueiro/motoboy no chão, que só ocupava faixa da esquerda, mas pelos seus novos 264 amigos parados no local do acidente. Destes, 263 ameaçavam o pobre do coitado do atropelador e o outro falava no celular, provavelmente avisando mais motoboys.
Sinceramente, comecei a temer mais pela vida do atropelador do que pela do motoboy. Afinal 263 + 1 (com a possibilidade de acrésimo no número) contra 1 não me pareceu muito justo.
Não paro, afinal tenho meus próprios problemas, desejo boa sorte em pensamento ao atropelador e ao atropelado - talvez se não estivesse correndo tanto.
Já no trabalho, peço para chamar o motoboy.
Passam desafiando as leis da física, mais um corpo ocupando o terceiro lugar num mesmo espaço que mal cabem dois. E da mesma maneira rápida que aparecem, somem, assim como sumiu de vista o retrovisor do carro ao lado, arrancado num chute certeiro (digno do Ronaldinho) de um motoboy um mais esstresado.
Fico para trás me perguntando: “Aonde eles vão com tanta pressa?”
Mas ainda assim penso: “Amanhã, vendo está porcaria de carro velho e compro uma moto.”
Meia hora depois, coisa rápida, uns 3 km a frente, chego a causa do congestionamento: um motoqueiro atropelado (Nunca ouvi no rádio motoboy atropelado, apenas motoqueiros são atropelados). Na hora desisti da moto.
E o trânsito parado nem tanto pelo motoqueiro/motoboy no chão, que só ocupava faixa da esquerda, mas pelos seus novos 264 amigos parados no local do acidente. Destes, 263 ameaçavam o pobre do coitado do atropelador e o outro falava no celular, provavelmente avisando mais motoboys.
Sinceramente, comecei a temer mais pela vida do atropelador do que pela do motoboy. Afinal 263 + 1 (com a possibilidade de acrésimo no número) contra 1 não me pareceu muito justo.
Não paro, afinal tenho meus próprios problemas, desejo boa sorte em pensamento ao atropelador e ao atropelado - talvez se não estivesse correndo tanto.
Já no trabalho, peço para chamar o motoboy.
- Olha você tem que ir aqui, nesse lugar, levar este material para o cliente.
Depois passa lá no fornecedor e me trás um documento.
E na volta, passa no banco e paga este boleto para mim.
Mas vai rápido porque já são três e dez e o banco fecha as 4.
Depois passa lá no fornecedor e me trás um documento.
E na volta, passa no banco e paga este boleto para mim.
Mas vai rápido porque já são três e dez e o banco fecha as 4.
22 de setembro de 2005
Descoberto mais um bem da Natação
Certa vez, após sair da aula de natação, fui tomar banho. Quando ia limpar o ouvido, qual não foi a minha surpresa ao perceber que o meu ouvido já estava limpo. Achei fantástico. Mas fiquei me perguntando: “Para onde foi a cera?”
21 de setembro de 2005
Crônicas de Elevador é um blog e ao mesmo tempo uma solução para ser usadas nos momentos incômodos do dia-a-dia. São crônicas muito rápidas e curtas (tá, eu sei, todas são assim) para as pessoas das cidades grandes que julgam não terem tempo para nada (mas que quando querem sempre arrumam um) Cabe aqui um exemplo: Botão, elevador, chegou. Abre porta e uma única pessoa no elevador. Você entra, dá aquele “oi” educado, mas que sai da garganta mas que quase não sai da boca e só. Aqueles intermináveis segundos não acabam nunca. O 3º andar nunca pareceu tão longe. E você olha para o chão, olha o andar que o elevador está (ainda no 1º) e quando resolve olhar para a pessoa que também está no elevador, percebe que ela já está olhando para você. Viu, tudo se resolve com uma crônicazinha impressa e estrategicamente guardada no bolso. Entrou no elevador, saque-a do bolso e antes mesmo de o elevador ir do terréo para o 3º andar você já digeriu toda uma crônica. Rápido, prático e indolor.
Aqui vale um apêndice (não aquele orgão que a gente tem e que não serve para nada).
Às vezes vão aparecer algumas coisas que ando fazendo aqui na agência – propaganda pessoal, propaganda – que se encaixa bem neste blog.
Visto que propaganda é uma coisa que olhamos rapidinho e nem lembramos mais, até a hora que vamos comprar o papel higiênico e não sabemos porque estamos levando o papel higiênico HiperMegaBlaster Macio 3 vezes mais caro que o concorrente. (Ah! O apêndice – orgão - tem sim utilidades: a 1º é doer, e muito e a 2º é dar dinheiro para os hospitais extirparem isso da gente. Ou seja, este orgão tem a mesma função do dente do Siso. Fuder com o dia da gente.).
Agora chega, porque o que era para ser rápido, já se extendeu demais.
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