Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

Importa, Não Importa?

Algumas dizem que não importa. Outras dizem que impressiona. As mais sinceras dizem que importa, e como. Mas para quem mais importa é para o próprio homem.

Como se vê no Discovery Channel, em todo grupo de animais selvagens existe uma competição entre os machos para saber quem será o líder do grupo. Com os humanos é igual, mas como a espécie humana evoluiu e não dá mais para sair batendo no mais fraco alheio e arrastar a mulher pelos cabelos - foi então que surgiu a conquista, as flores e os jantares - o homem estabeleceu critérios de competição com os outros machos para se sobresair e ser o líder da manada ou mulherada.

O critério escolhido foi o tamanho. Do carro, dos músculos, da conta bancária e principalmente “O” tamanho.

A competição do "Maior" começa ainda na escola, quando uma simples comparação do tipo “meu pirulito é maior que o seu” é motivo para choros e manhas.

Foram os caras que cresceram ouvindo isso na infância, que mesmo depois de adulto, não usam mictórios e preferem tomar banho na segurança solitária do seu chuveiro, mesmo depois de um jogo de futebol em um chiqueiro que alguns chamam de campo.

É lógico que nenhum homem admite que se importa com o tamanho da sombra alheia ao seu lado do mictório. Mas o tamanho dos seus pertences os deixa inseguros sim. Assistir a uma sessão de pornô, pode até significar depreção e cancelamento da viagem de lua de mel à África.

Para compensar essa frustração, alguns se matam de trabalhar para comprar carros importados e poder dar presentes caros na esperança de compensar o que Deus não lhe deu. Geralmente acaba se tornando um machista preconceituoso daqueles que dizem: “Mulher gosta de dinheiro, quem gosta de Peru é bicha!”.

Na outra ponta, os menos afortunados, porém avantajados, insinuam que eles estão tentando compensar alguma coisa. Já que estes não conseguiram atingir o sucesso profissional e de certa forma acabam por se sentindo menores que os outros.

Tudo uma questão de tamanho.

Mas existem aqueles abençoados por Deus e ricos por merecimento. Esse é o tipo de cara que usa o mictório e que poderia ter o melhor carro importado, mas não tem por opção, porque no fundo ele sabe que já tem tudo o que precisa.

O homem se importa tanto com o tamanho, alguns chegam a sair de casa na madrugada para comprar as bombas de aumento em sex-shops escusos nos horários mais obscuros, para não chamar atenção, achando que assim serão mais homem. Mas a preocupação dele não é pela mulher (ou parceiro, porque não?). É por ele. Para ele saber que aquilo que Deus lhe deu satisfaz sua mulher e que ela não fugir com o primeiro Afro-descendente que aparecer na rua ou que ela não vai entrar no primeiro carro importado que oferecer carona.

O que importa de verdade é habilidade do piloto em manusear seu equipamento P, M ou G, que ele tenha potência para subir e que sempre que requisitado tenha força para engatar a segunda, a terceira e por aí vai.

Quinta-feira, Novembro 08, 2007

Seu Voto é Muito Importante Para Mim

Uma Caçamba Roubou a Vaga

Para dirigir em São Paulo precisa ter muita paciência pra agüentar o pára, anda, pára, pára, pára mais um pouquinho, agora parece que vai andar, sobreviver aos motoqueiros e aos amendoins que matam, se tiver sorte, só a fome. Quem chega ao seu destino pode sentir-se aliviado por ter conseguido chegar ileso. Mal sabe que apenas chegou ao estágio dois.

Quem se sente extorquido pelas placas de “Estacione aqui – Manobrista – 15 reais” de quase todos os bares e restaurantes (sendo que já se esta indo gastar no local específicado) e quer ter o direito dele mesmo parar o carro na rua e não pagar para um manobrista o fazer, tem que tomar até Dramim para não ficar tonto com tantas voltas dadas no quarteirão que é preciso para encontrar um espaço não sujeito a atuação do SUM (Sistema Único de Multas – um dos poucos órgãos públicos que realmente funcionam). Mesmo os mais sortudos não estão livres do: “Cincão dotô, acerta antes, fico aqui até o dotô pagá, quer dizer até as 5 da manhã!”.

Depois de horas brincando de autorama na rua, ver um carro mal estacionado pode gerar um sentimento traduzido em “Ahh se eu estivesse dirigindo um trator!”. São os motoristas que sofrem da síndrome do caminhoneiro e conseguem estacionar seus carros, mesmo os menores como um Ka, de uma forma a ocupar de duas a três vagas de uma só vez. Nem a física consegue explicar como um corpo ocupa dois lugares ao mesmo tempo, imagina atrapalhar um terceiro.

Caçambas de Entulho são o desespero de qualquer motorista. Não respeitam a sinalização, atrapalham o trânsito e aparecem do nada, da noite para o dia, naquela vaga que sempre esteve a disposição, seja no happy hour ou na rua do trabalho. Já não basta disputar vagas com carros. Tem que disputar com aquele monte de ferro feito para ocupar entulho, entulho, ocupando uma vaga que deveria ser sua. SUA. Pior é quando deixam uma vaga entre a caçamba e o carro da frente. Tentar estacionar lá pode significar um amassado feio no carro e palavrões que as próximas cinco gerações do caçambeiro e do cidadão que parou o carro na frente irão ouvir.

Estacionamento de Shoppings foram construídos, para que depois de 15 minutos brincando de labirinto, o motorista mesmo se tocando que não é uma boa idéia ir ao shopping no feriado, tenha que pagar o valor mínimo. E nem adianta correr para aquele espaço vazio entre carros, ali já tem um carro, apenas menor que eles. Se realmente tiver um espaço é vaga exclusiva para deficiente. Seguir quem sai cheio de sacolas parece uma grande idéia, mas na verdade é perda de tempo. Todo mundo que sai do elevador de um shopping sai desorientado. Não adianta seguí-los, se estiverem no andar certo ótimo, na direção certa então é milagre. Fora à sensação que se tem de estar sempre 30 segundos atrasado para estacionar, já que o é o terceiro carro na sua frente que conseguiu uma vaga (suspiro).

Depois do motorista escapar ileso do trânsito, chegar com o carro sem arranhões e com os 2 retrovisores, é hora sentar e relaxar tomando uma cervejinha. Agora só falta achar uma vaga no bar.

Sexta-feira, Outubro 26, 2007

Leia. Mas vote.

Aperta o Botão que é Mais Fácil

Máquinas. Computadores. Sistemas. Criados para simplificar e ajudar as pessoas nas tarefas mais básicas do dia-a-dia, ficaram tão complicados que as pessoas desenvolveram uma nova crise existencial: Qual botão apertar?

Microondas cheio de funções e botões, indispensável na cozinha, mesmo que sua função verdadeira seja requentar os pratos cozinhados nos fornos e fogões tradicionais e fazer pipoca. Alguns até se aventuram a cozinhar brigadeiro. Fazer pipoca (se é que se pode levar o mérito de jogar o pacote lá dentro) requer alguma habilidade de manuseio da máquina. “Apertar o botão, girar o dial 3 vezes para esquerda, uma para direita e escolher a função pipoca: apertar o botão. Ao final é sempre bom colocar mais uns segundinhos para estourar todos os grãos.” E não importa se quem faz a pipoca vai assistir a um filme sozinho na sessão da tarde. É obrigação deglutir todo o pacote de pipoca que a tecnologia inventou para facilitar a vida.

Computadores ficaram tão inteligentes que corrigem qualquer erro. O exemplo básico é digitar qualquer coisa num buscador de internet, se ele não entende a palavra, ele escreve a mensagem: “você quis dizer?”. Resumindo, educadamente o computador acabou de te chamar de ignorante.

Tentar escrever uma palavra errada de propósito em editores de texto como o Word é um trabalho árduo. O programa corrige automaticamente tudo, para fazê-lo, é necessário entrar em opções, desabilitar o corretor automático e escrever a tal palavra. Depois fazer o processo inverso, óbvio, porque desde que o Word acentua as palavras corretamente, ninguém mais o faz.


Caixas eletrônicos possuem algum tipo de perversão secreta. Insira o cartão. Retire o cartão. Insira o cartão novamente. Insira o cartão e espere a mensagem para retirá-lo. É tanto entra e sai, que deve ser uma sensação orgástica para a máquina na hora que o dinheiro é liberado. Será que é só por isso que o dinheiro é liberado no final?

Tecnologia também vicia. Internet. Cafeteiras elétricas. Celulares.

Estes aparelhinhos então viciam mais que qualquer outra droga já inventada. Especialistas garantem, basta uma ligação para ficar preso a este aparelho e praticamente não sair de casa sem ele. O tempo máximo de abstinência que se pode passar com ele são duas horas, isso se estiver dentro do cinema. Foi criado apenas para facilitar a comunicação. Fazer ligações de qualquer lugar (o que ainda não é uma realidade, ele continua não funcionando quando realmente se precisa dele), facilitar o acesso à agenda telefônica, tê-la dentro do aparelho que faz a ligação. Genial não? Não. No caso de perda ou roubo, a sensação que fica é de vazio. Toda a vida social da pessoa some do seu alcance. A memória desaparece. É como as pessoas que se recuperaram do uso de drogas e não lembram de passagens da suas vidas. Ainda não há histórias de pessoas recuperadas do vício que este aparelho causa.

Usar a expressão: “tem café no bule” já não faz o mínimo sentido na vida eletrônica das grandes cidades. Esta em extinção, assim como utilizar coadores de pano para fazer um café – não, aquilo que sua vó usa para fazer café não é a meia velha do seu avô - aqueles ainda utilizados na cidade de Cabrobó do Judas, feitos sem energia elétrica no fogão a lenha que deixam um cheiro delicioso na casa inteira.

Sexta-feira, Outubro 19, 2007

Antes de Ler, Dê Aquela Votadinha Aqui

O Mundo em uma Telinha de Cristal

Fotos fascinam. Fotos imortalizam. Quando foram inventadas, pessoas tinham medo que suas almas ficassem presas para sempre no papel sépia. Tanto que alguns tiravam fotos dos seus mortos, como se ainda tivessem vivos, para que estes vivessem para sempre.

Os tempos mudaram. As pessoas perderam o medo de perder suas almas para o papel fotográfico, mas continuaram fascinadas por fotos. Álbuns de família, casamento, formatura, churrasco com a galera, Natal em família. Todo mundo se reunia para tirar fotos, filme era caro, revelação também. Durante as viagens, os turistas aproveitavam o passeio, então tiravam fotos.

Desde que as máquinas fotográficas digitais se popularizaram, muitas pessoas começaram a ver o mundo por uma tela de cristal líquido de 3 polegadas . O barulho do click, click, foi substituído por uma ampulhetinha e a palavra saving.

Durante as fotografagem vai tirando uma viagem. Qualquer coisa merece 103 fotos com todos os ângulos possíveis. Inclusive a famosa foto do Bloco do Eu Sozinho, que as pessoas tiram de si mesmas, com paisagem ao fundo – as preferidas dos casais. Depois de admirar o lugar pela tela de cristal, é hora mais um ponto “fotístico”.


- E lá era bonito?
- Não vi direito. Ainda não deu tempo de baixar no computador.

Voltar de viagem e reunir os amigos para mostrar as fotos em casa pra quê? Cria uma galeria na internet. Põe no Orkut com legenda: “Eu e minha gata pagando de patrão na Praia Grande”.

Expectativa para ver se a foto saiu boa não existe mais. Até as antigas Polaroid com revelação instantânea criavam certo mistério, até o papel secar e pegar cor. Hoje, não gostou, apaga e tira de novo. “Aí pisquei! To horrível. Gente, olha que papo. Tira outra.” E a maquininha lá: Flash, Saving... Flash, Saving... Imprimir as fotos? Manda por e-mail, quando muito, se já viu na telinha está de bom tamanho.


- Paguei uma fortuna nesta máquina aqui de 12 Mega Pixel. Diz que ficam bem melhor para imprimir do que as outras.
- Vai imprimir?
- Não. Vou ver no computador mesmo.
- Ahhh!

Espetáculos musicais também se renderam as máquinas digitais, depois da brilhante idéia de alguém, que descobriu que celular não é para fazer ligação, é para ver televisão, tirar foto e rodar Windows. Conseguir entrar em um show com uma máquina, era uma arte. Tinha que muquiar na cueca suja de 2 dias de fila e enfiar na mochila. Isqueiro no alto na baladinha romântica não existe mais. A luz no alto durante todo o show é dos flash e das telinhas filmando. É tanta luz que alguns músicos estão dispensando as luzes nos palcos. Seus fazem o serviço pra eles.


– Se o show foi bom? Não sei. Vou assistir agora no Youtube, responde o fã que gravou tudo.

A facilidade de divulgar filmes e fotos feitas por estas máquinas digitais também tornaram muito fácil de tornar uma pessoa popular. Geralmente por atos e poses comprometedoras. Qualquer coisa mais picante encontradas nos celulares e câmeras não gira na roda de amigos, tem download feito ao redor do mundo. Mas nem precisa se preocupar, as pessoas apagam da memória rapidinho, como as fotos do ex que não merece nem ir para o lixo e poluir o mundo, simplesmente apertam a tecla Delete.

Segunda-feira, Outubro 15, 2007

Voltando ao Mundo

Primeiro eu tenho que pedir desculpas pelo atraso na postagens e depois de duas semanas de atraso, postar para te pedir um favor. É por uma boa causa. Mesmo está causa sendo apenas minha.

Eu já realizei uma pequena volta ao mundo e agora surgiu a possibilidade de aumentar o número de bandeirinhas diferentes costuradas na minha mochila. Mas para isso eu preciso da sua ajuda, da ajuda dos seus amigos, da sua família, conhecidos e qualquer estranho que passar na rua.

Meses atrás eu me inscrevi numa promoção do biscoito Negresco, aquele que justifica tudo, com a revista Superinteressante – que aliás terá meu blog e meu depoimento na revista do mês - dará uma viagem de volta ao mundo para o vencedor. São diversas categorias e o meu blog está entre os 5 finalistas da categoria. Ficar entre os finalistas parar mim, será muito importante para as minhas pretensões futuras como escritor.

Para concorrer ao prêmio final, ele tem que ser o mais votado entre os 5 blogs, então vou pedir para você não deixar para votar mais tarde, que convenhamos, ninguém faz. Não custa nada, clique no link abaixo e vote. É só entrar no link e clicar no quadradinho “Crônicas de Elevador”. É simples, fácil e não precisa de cadastro. Aliás, se não for pedir muito, divulgue e vote várias vezes.

Não leve a mal minha campanha, mas fazer uma Viagem ao Redor do Mundo de graça também justifica tudo.

http://mundoestranho.abril.com.br/premiovoltaaomundo/finalistas/blog.shtml

Valeu pelo seu voto.
E até o final dessa semana tem crônica nova.

Mais crônicas de Elevador na net:
Comunidade Orkut:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=39685218&refresh=1

Sexta-feira, Setembro 28, 2007

Na Hora dá um Aperto

Poucas situações podem ser tão constrangedoras no começo de relacionamento quanto uma vontade de ir ao banheiro. Naquela fase que o casal passa o primeiro final de semana juntos. Viaja. Passa o feriado na praia.

Todos têm que ir ao banheiro. Fato. Mas quando saber que a intimidade chegou ao ponto de: “Olha não entra ai dentro agora não que a coisa ta feia!” e o cônjuge achar aquilo a coisa mais natural do mundo. Existe uma data pré-determinada? Uma semana? Um mês? Quem sabe um ano? Talvez nunca?

Mesmo um xixizinho na primeira vez que o homem vai buscar a sua namorada (ou futura) em casa, ele tenta não fazer muito barulho, mira na louça para que o jato não caia direto n'água amenizando assim o som.

Agora o numero 2 é muito intimo. Para algumas mulheres, a constipação vira uma benção nesses finais de semana que passam com o namorado, seja na casa dele ou viajando. Ela nem sente vontade. Só faz em casa. Já o estomago do homem funciona como relógio. Às vezes como uma bomba-relógio.

É lógico que existem técnicas para disfarçar. A invariável desculpa do banho é a melhor forma. Basta abrir o chuveiro enquanto se lê o jornal tranquilamente, depois toma um belo banho demorado. Tudo para o bodum ir pelos ares.

Caso seja um daqueles finais de semana românticos, depois de dois dias segurando, a redenção está próxima e de repente a grata surpresa: companhia para tomar banho. A coisa aperta! Não tem jeito. Sorria.

Para completar o disfarce, escove os dentes depois. Escovar os dentes é sempre uma boa desculpa, principalmente quando a vontade bate de súbito depois do banho. Escove os dentes pela enésima vez no dia. Não importa. Diga que é algum tipo de obsessão e que só consegue escovar os dentes direito quando esta sozinho e trancado no banheiro.

Mas se nada adiantar, procure um fósforo. Que aliás é excelente para acabar com o cheiro da feijoada de quarta-feira, mas que deixa muito óbvio o que se estava fazendo dentro da casinha, a não ser que seja o caso de uma pessoa piromaníaca.

Se tudo falhar, resta o Bom-Ar. Como o fósforo, entrega muito fácil os reais acontecimentos e às vezes a mistura dos cheiros podem ter resultados desastrosos.

Agora mais importante: jamais esqueça de dar a escovadinha na louça no final. Se não tiver escovinha é hora de usar a imaginação. Fica por sua conta. Mas haja o que houver, jamais deixe vestígios do seu crime.

É lógico que muitas pessoas nunca pensam nisso e simplesmente vão ao banheiro. Casais abençoados. Mas a mais pura verdade é que se for para imaginar o conjugue no trono, que seja para ser um Monarca, não fazendo força.

Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Adiando o Inevitável

A cena é comum: Médicos correndo ao lado da maca desesperados, uma enfermeira segura o soro e o amigo - inexplicavelmente escapou ileso da colisão do seu carro contra um trem de frente - ao lado vai falando: “você vai ficar bem, você vai ficar bem”. Bom pelo menos é assim que começa todos os episódios de E.R. (o famoso Plantão Médico) ou qualquer filme ou série sobre médicos.

Mas o contrário do amigo, que nunca pode entrar na sala de cirurgia, certa pessoa vestida de preto já aguarda o acidentado na sala de operação com o que aprece ser um sorriso no rosto.

Infelizmente, os médicos não estão ali para salvar mais uma vida. Eles estão adiando o encontro das pessoas com aquela senhora magra e pálida que anda apoiada em uma bengala bem grande e que está em quase todos os lugares.

É triste saber, mas esta é a única certeza que um ser vivo tem ao se aventurar saindo da barriga da mãe, da casca de um ovo ou simplesmente brotando da terra, que dentro de algumas horas, dias ou anos ele, não estará mais lá.

Não ter medo da morte, não significa ser estúpido. No Youtube está cheio de vídeos de pessoas que desafiam a Dona Morte e não tem amor à própria vida. É gente pulando de pára-quedas sem pára-quedas, gente casando, andando de bicicleta no parapeito de um prédio de 100 andares com um aquário e um peixinho dourado na cabeça – qual a culpa do peixe?

As únicas pessoas no mundo que realmente tem um bom motivo para querer encontrar logo seu fim são os homens bombas extremistas islâmicos. Trocar uma vida de privação total por 40 virgens no céu não parece uma troca tão injusta.

Mas fora esse grupo de pessoas – extremistas e idiotas - a grande maioria, ainda tem certo receio de atravessar essa linha. É o mesmo sentimento de mudar de emprego ou casar, você não sabe o que vai encontrar do outro lado. Também ninguém nunca voltou do além morte para dizer como é legal os anjos tocando gaitas ou como são fogosas as diabas. Os que voltam, ficam meio estranhos, ressabiados, as pessoas olham meio desconfiadas, mas insitem que é uma experiência única. Igual aos divorciados.

Chegar ao fim da jornada vida é tão inevitável como não resistir a mais uma Ruffles, dar um mergulho no mar num calor de 40 graus ou encher de carinho quem você ama.

O que importa não é adiar essa jornada, é aproveitar ao máximo o que ela tem a oferecer, seja mais um beijo, mais um gole, mais cinco minutos de sono, para que quando o final chegar, aquele um segundo que todos dizem que se passa diante dos olhos, dure muito mais que um segundo.

E já que não dá para evitar mesmo o fim, que pelo menos um analgésico da faça a curtição da vida ser com um pouquinho menos de dor.